terça-feira, 2 de junho de 2015

O ESPELHO


O espelho

O que tento lhe traduzir é mais misterioso, se enreda nas raízes mesmas do ser, na fonte impalpável das sensações.

J. Gasquet, Cézanne

 

O edifício vizinho invadiu minha sala. Entrou pela janela e se aboletou inteiro num pequeno espelho sobre a mesa de jantar. Estranhamente, o “invasor” trouxe do lado de lá a Praça do Metrô e o prédio em  frente (este do qual estou falando) e tudo isso refletido em suas vidraças, além de um lindo pôr de sol como artífice de  grandes pareidolias. E o espelho, ao ostentar seu espetáculo, não se dá conta de tanto brilho. E a sala, mil vezes menor, cede à imagem o espaço perceptivo.

Falar sobre os “espelhos” não nos parece muito simples, quando se tem um Umberto Eco seguido de um Machado de Assis. Mesmo assim, vou me aventurar em relatar o que vi numa tarde de outono. Inicio este escrito questionando o desafio da física e da geometria, ao ver parte de um bairro com praças e prédios refletida no espelho;  ou seria a perplexidade do meu olhar diante daquelas imagens especulares? A sala, meio inibida, é o palco desse cenário de tamanha grandeza para o espetáculo. A janela de vidro fechada, nada fez para impedir tal invasão, onde as figuras multiplicadas com seus mosaicos de ilusões vestem-se de ambíguas  imagens que se  recriam de tons multifacetados. Meu inerte olhar apenas observa. E é o que tento aqui compor: fazê-los ver com palavras pensando que  aquilo que vi  atrela-se ao invisível nas palavras de  M. Merleau-Ponty  A visão é o encontro, como numa encruzilhada, de todos os aspectos do Ser. 

 E o espelho? Há um espectador atento que a tudo assiste como num filme com início,  meio e fim: a lâmina luminosa vai rolando a cena construída de inúmeras faces. Os objetos são imagens distorcidas que foram deslocadas de suas fronteiras entre o real e o imaginário, gerando esse fenômeno de percepção, aliado à especulação das imagens que dançam refletidas no espelho. Não se trata de fotografia, não há delírio que dê conta desse imaginário de transposição do real. O prédio, a praça, a janela e o espelho são elementos que formam a ilusão desse instante; a contemplação do espaço  e o  surgimento de um conceito de vazio, vazio de significado, ganha uma nova dimensão diante do contexto de uma visão ilusória.

Ao tentar descrever o processo, não o processo do espelho, mas a metáfora enganosa do real que aponta para uma imagem de realidade onde o reflexo apenas distorce aquilo que está sendo refletido e desloca o objeto para um outro lugar, gerando uma ilusão ou um paradoxo. Nada foge a especular observação. A cena importada pelo espelho transita refletida pela dupla visão e possui uma simetria semelhante ao objeto real.  Porém, aos poucos, esse objeto real vai sendo diluído pela luminosidade do sol e, aos poucos, lentamente, as cores vão se apagando em suas modulações, mudando o cenário das imagens pela radiação do sol.

Desse modo, cabe ao espectador refletir sobre aquilo que ele vê, pois nem sempre o objeto visto obedece aos critérios de sua visão. Por outro lado, a descrição de sua mente afirma ser legítima a realidade exposta daquele cenário. As imagens, quer sejam reais ou artísticas, são sempre possibilidades de uma construção, de uma experiência  vivida; ainda que, em suas histórias, haja máscaras para romper e compor fronteiras entre o simbólico e o imaginário.

E o espelho surge, assim, como objeto comum, representante não muito fiel do Outro ou de um lugar.  Mas o espelho que estou descrevendo é realmente fantástico: ele ocupa o lugar da ilusão na consciência humana, mostrando a incrível cena raptada de outros lugares de imagens multifacetadas; refletindo fragmentos quase reais, que ficaram entranhados no “olhar” que,  tal como o espelho, também repassa o que vê do objeto materializado na difusa lâmina da retina. Esta é uma percepção diante do afastamento que há entre o olhar no espelho e a forma que nele fora projetada.

 

               

 

domingo, 12 de abril de 2015

NO DNA DO TEMPO: A culpa é dos telômeros




Por: Vannda Santana


O que é velhice? Por que envelhecemos? Pois bem, tentando buscar uma explicação para tais perguntas vi-me invadindo áreas do conhecimento científico que antes não exerciam nenhum interesse sobre mim. Hoje, vencida pela indagação, busco explicações para entender como se processa o envelhecimento nas suas complexas fases da vida humana. Tarefa nada fácil para quem não possui conhecimento específico; pior ainda, quando se tenta ler a realidade com lentes leigas, pensando ser capaz de decifrar o mistério que envolve a biologia, a fisiologia e a genética de toda uma existência, acreditando na percepção de um mero empirismo. Porém, movida por essas inquietações, sigo rastreando dúvidas: onde começa a diferença daquilo que durante o ato de envelhecer parecia ser um processo normal?  A doença que se instala no corpo do idoso, sinalizando um desgaste do físico seria, então, resultado da idade ou é a degenerescência do físico débil, que não consegue reagir diante de certas patologias? Parece que estamos falando do óbvio.

Determinei meu objetivo seguindo a premissa de verificação das diferenças entre duas palavras: senescência e senilidade, procurando em suas divergências o que há de comum entre ambas. Ao debruçar-me sobre este assunto, deparei-me com um universo de informações; de estruturas e funções tão complexas que não tive outra opção a não ser a de interpretar, transliterar o que foi possível ser abstraído da literatura. A partir daí, procurei centrar meu interesse apenas no princípio de uma propedêutica biológica do processo de  envelhecimento; observando em que momento da vida uma simples mudança de comportamento celular pode significar declínio de uma estrutura física.

 Há uma vasta literatura sobre o tema velhice. Mas não é minha proposta fazer deste artigo um esboço para uma tese. Minha inquietação não chega a tanto. Quero sim, compreender o processo e dar forma às mais contundentes interpretações:  realçar o quanto há de sensível atrelado a teoria da imagem do corpo e tentar entender a imagem decodificada no corpo, perante o registro da memória que o tempo descreve como cópia desbotada da idade.

Por mais holística que seja a minha crença, por maior que seja a verdade sobre a teoria quântica, ainda assim, sigo meio confusa aceitando os ditames de um Descartes,  porém admitindo a crença em um Einstein que me leva para além do que é visto. Em meio à dúvida, opto por paradigmas que me fazem perscrutar novos sentidos. Desse modo, assisto à vida seguir seu curso driblando certezas e nos fazendo surpresas, nos oferecendo muito mais do que é por nós esperado ao longo da existência.

 Não nos parece simples encontrar respostas prontas para situações como estas que se referem à biologia e à fisiologia humana. Mas, é neste contexto que surge a palavrinha senescência apontando uma nova direção e, simultaneamente, mostrando sua diferença entre a senilidade. Pois bem, não faltaram mentes iluminadas para dar luz a esses novos caminhos de pesquisas da biologia humana. Muito já se fez, mas ainda há muito o que se fazer. Como leiga que sou, apresso-me em devorar as novas descobertas, uma vez que também me vejo cobaia no decurso desse script.

  Comportamento celular: este é o ponto x da questão. Com o passar dos anos, nosso corpo sofre uma série de transformações anatômicas e funcionais que atingem todos os órgãos e  o sistema orgânico. Enumeremos alguns exemplos: o adelgaçamento da pele, do cabelo, das unhas, além do enrijecimento dos vasos sanguíneos e a redução de algumas células de defesa do organismo. Estes são alguns dos exemplos que estarão presentes nestas mudanças que são denominadas senescência ou envelhecimento normal. Entretanto, é importante notar que uma coisa não está aliada à outra e nem são acompanhadas de sintomas e nem interferem negativamente no estilo de vida de cada um. Isto se deve ao simples processo de envelhecimento dos seres vivos compreendido cientificamente pelo nome de senescência celular.

Bem, foi o que entendi do que pude transliterar do texto científico. Compreendi que é assim que funcionam as células de um organismo vivo. Elas apresentam a capacidade de se dividirem para poderem dar lugar àquelas que por qualquer razão pararam o seu processo de metabolização. Diante deste  resultado, temos o processo de envelhecimento ou a senescência celular quando as células param o seu método de divisão. É assim que a “coisa” funciona: as células senescentes, ou seja, as células envelhecidas param de se dividir quando os telômeros que protegem as extremidades dos cromossomas se encurtam até alcançar o limite de Hayflick. Esse limite, foi descoberto por Leonard Hayflick como resultado de dados empíricos e pesquisas aplicadas às células humanas. Esse cientista verificou que as células de nosso corpo podem se dividir apenas um certo número de vezes. Toda vez que uma célula se replica, ela acaba tendo seus telômeros diminuídos. Cada nova célula tendo os telômeros menores ficam fadadas a começarem a envelhecer, apresentando, assim, mais problemas até que o limite crítico seja atingido e a célula não possa mais viver. Essa é a função dos telômeros; são eles uma espécie de tampões nas extremidades dos cromatídeos. O estudo de Leonard Hayflick foi tão importante que desbancou um ganhador do Prêmio Nobel, Alexis Carrel, que afirmava a existência de imortalidade em células normais.

A descoberta dessa diminuição, que gera envelhecimento nas células, está ligada diretamente ao envelhecimento humano natural. Além disso, os telômeros menores abrem espaço para diversos problemas, devido a uma diminuição da capacidade imunológica das células, o que pode abrir “janelas” para o avanço de doenças oportunistas, autoimunes que atacam nossas células.

Cabe aqui uma pergunta: se nossas células possuem essa programação para morrer, qual será o limite da vida?

Mitos ou verdades. Mas a verdade é que ninguém sabe exatamente tudo sobre a vida. De acordo com alguns pesquisadores atuais, os cientistas acreditaram que durante muitos anos uma pessoa jamais passaria dos 110 anos, porém esse pensamento foi mudado. Jeanne Calment, que nasceu em 1875 e viveu até 1997, mostrou que o corpo humano pode passar dos 120 anos, algo realmente incrível. Mesmo essa idade não sendo o limite definitivo, ela pode estar muito próxima dele, o que é um grande problema para os planos de vida eterna dos humanos. Várias pesquisas sobre como impedir os telômeros de diminuírem com o passar do tempo estão sendo feitas e até que a humanidade encontre a “cura” disso, não faça muitos planos para depois dos 120.

 Os pesquisadores Victoria Lundblad e Timothy Tucey fizeram descobertas importantes de como funciona a enzima telomerase no Salk Institute for Biological Studies. De acordo com o que foi dito, à medida que nossas células se dividem – para renovar tecidos da pele, pulmões, fígado e outros órgãos – as extremidades dos cromossomos presentes nas células vão se encurtando cada vez mais. Esta afirmação, baseada em pesquisas anteriores apontam para as novas descobertas: Quando essas extremidades, chamadas telômeros, tornam-se muito curtas, as células perdem a capacidade de se dividir, o que promove a degeneração dos tecidos. Isso é o que geralmente ocorre com o envelhecimento. Cientistas descobrem “interruptor” que atua em envelhecimento celular [1].

Concluiu-se que em algumas situações os limites entre senescência e senilidade não são tão claros. Desse modo, fica uma observação: assim que o  indivíduo perceber algum sintoma ou mudança no padrão de funcionamento do seu corpo, deve-se procurar ajuda especializada e não acreditar que "é normal da idade”. Outro recado: o envelhecer ainda é um processo cercado de muitos preconceitos, além de grandes dúvidas. Portanto, só nos cabe acreditar que muito já se descobriu, mas ainda há muito o que se fazer; sabemos que há diversas pesquisas em andamento no mundo inteiro com o objetivo de alavancar o entendimento sobre esta fase da vida. Desse modo, é melhor agirmos em defesa de nossos estímulos físico e emocional e, assim, estabelecer as condições necessárias para nos mantermos ativos, produtivos e com qualidade de vida, enquanto a eternidade não vem.


Referências:

Sites:




domingo, 25 de janeiro de 2015

A Paineira de Copacabana







A Paineira de Copacabana floresce no asfalto da Praça Arcoverde cercada de cimento por todos os lados



Inicio este texto com um pedido de socorro: meu senhor, mande urgente uma chuva do céu para salvar esta linda flor, pois ela representa o abrigo, a casa e o ninho de tantos pássaros que, para ela, retornam contentes ao anoitecer e, quando o dia amanhece, alçam alvorada em retirada com cantos e festivais. As nossas Paineiras necessitam viver e elas parecem lutar contra toda poluição do ar que cai ao seu redor. Mas, ainda assim, são elas magníficas, charmosas e elegantes nas suas formas requintadas de ser. Com, aproximadamente, doze a quinze metros de altura e um tronco espinhoso (algumas já sem espinhos) costumam exibir suas floradas exuberantes. E elas são assim, se destacam no cinza do cenário urbano indiferentes à poluição e, dependendo do lugar onde vivem, pintam de rosa o chão de ruas e avenidas.


Para alguns biólogos e ambientalistas, as Paineiras e as Quaresmeiras são espécies de árvores que se tornam presentes com suas floradas nesta época, entre dezembro e abril, iniciando o ano com sua temporada de flores. Enquanto que, para outros estudiosos, de acordo com cada região, as quaresmeiras iniciariam seu processo de floração em março e as Paineiras em abril. Para o mês de maio, espera-se, então, a florada dos ipês (branco, rosa e amarelo) que por sua vez se estende na temporada até setembro. Em agosto, será a vez das floradas dos Jacarandás conhecidos como ipê roxo. A informação oferecida aqui sobre a época de floração de cada espécie apoia-se no conceito[1] referenciado. Porém, pude notar algumas divergências nos períodos de floração das mesmas espécies citadas em outras fontes.  Diante do exposto, este texto não pretende ser objeto de estudo. Trata-se de uma crônica e, por isso mesmo, não abrangerá conceituações de conhecimento específico sobre variações climáticas ou sobre as regiões onde melhor se adéquam.


Quero apenas falar das Paineiras, não de uma paineira qualquer mas, principalmente, a Paineira de Copacabana, aquela que floresce no asfalto e quase ninguém vê. É para ela o meu olhar da janela; é sobre ela o cantar entusiasmado do Sabiá; é nas flores em forma de orquídea que o refinado néctar está intimamente guardado. A Paineira de Copacabana exibe, na praça, o seu mais singelo matiz; estende seus galhos em forma de braços ornados como um tapete de pétalas em passarela, sem mesmo discriminar os passos que por ali passam distraídos para o Metrô.


Um lembrete histórico: antigamente, as pessoas utilizavam as sementes das Paineiras, chamadas de paina, para encher travesseiros,  almofadas e bichos de pelúcia, em função de serem peludas, lembrando algodão. Talvez, por esta razão, possamos dizer que há um étimo sensorial presente no contexto da semente-paina, remetendo-nos à maciez dos travesseiros, tão desejados por todos para que tenham noites de bom sono. Ou, ainda, como a falta que se quer preenchida na semântica dos travesseiros e dos bichinhos de pelúcia. Nesse não ato, registra-se a ausência que se faz notar. Este é o sentido: há um vazio, vazio pleno, até de “paina”. Fica a reflexão. 


Esta é a Paineira de janeiro, da Praça Cardeal Arcoverde, Praça-casa; Praça-dormitório; Praça-de-gente-sem-casa que assim como a Paineira, também sofre seus revezes. Esta é a Paineira de Copacabana que, ao lado dos sem-teto, sofre a perversa ação do homem.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Oficina de Arteterapia: linguagens e símbolos


Oficina de arteterapia: linguagens e símbolos, uma dinâmica de criatividade

 

Por: Vannda Santana

 

"Eu vivia num estado de tensão, à medida que fui conseguindo traduzir as emoções em imagens- isto é, à medida que fui descobrindo as imagens que se encontravam escondidas nas emoções- vi-me acalmado e seguro interiormente."

 C.G. Jung

 
A prática arteterapêutica vivenciada no consultório através das oficinas de artes vem demonstrando ao longo de seu tempo ser um método ricamente simbólico e que por meio de sua linguagem tem se revelado com grande eficácia para o desenvolvimento psíquico em qualquer fase da vida humana. O que se pretende com este texto não é divulgar ou comentar resultados de um trabalho teórico ou empírico específico, mas possibilitar uma sistematização que ofereça pistas para um novo pensar a doença e a cura nos seus campos fronteiriços, onde a farmacopeia opera sem medidas, sem limites e escrúpulos. Assim, tentarei partilhar o que entendo por linguagem dos símbolos na dinâmica da criatividade e depois sistematizar alguns desafios que nos rodeiam em face desse conceito: desafios constantes - onde o arteterapeuta se vê envolvido simultaneamente  pelos desafios antigos e os atuais.
 

A arteterapia promove singularmente manifestação de expressão em suas realizações, causando um efeito visível considerável. Portanto, falar de criatividade é algo que vem se manifestando como elemento de libertação espontânea, apontando eficácia e clareza diante das necessidades humanas. Desse modo, o tratamento arteterapêutico conduz o indivíduo para um despertar da criatividade, gerando um fluxo energético a favor de novas adaptações, de novas possibilidades contribuindo de forma lúdica para o tratamento. A arteterapia oferece um espaço aberto à criação e à elaboração de conflitos e perdas de forma leve e prazerosa.
 

 A arteterapia utiliza-se de vários elementos de artes, desde um simples lápis de cor até as formas mais ousadas de um “risque e rabisque” com tintas e pincéis até mesmo outras formas criativas de verbalizações, como o uso a fala para contar histórias,  interpretar um poema, bem como usar a criatividade literária para fazer contos, crônicas além de outras manifestações de criatividade. Permitir o acesso à utilização dessas técnicas da arteterapia poderá conduzir o indivíduo ao processo de estimulação do cérebro e ajudar o psiquismo a realizar suas expressões através da libertação das pressões internas do sujeito.

 
Portanto, cabe ao terapeuta usar cada vez mais uma postura ética imprescindível de conhecimento e reconhecimento das novas técnicas que deverão participar dessa dinâmica do fazer de cada momento um prazer. Desse modo, a participação terapêutica do prazer em fazer se converterá em resposta de realização simbólica. Isto é  arteterapia.

 
 A vivência de cada indivíduo vai surgindo espontaneamente através dos elementos e dos materiais que são previamente expostos de maneira que o próprio indivíduo possa fazer sua escolha. Porém, nos casos mais gravemente comprometidos, o terapeuta deverá intervir em auxílio ao paciente, sem abdicar dos critérios éticos de sua ação e prática ao escolher os materiais, como tinta, tecido, madeira, massa, argila, papel, lápis cera, lápis,  óleo, grafite, jogos diversos, textos individuais ou textos teatralizados para leitura além de outros suportes. Durante o processo que ocorre dentro da oficina, o profissional terapeuta procura fazer suas observações quando necessárias para aquele momento. Neste caso, o arteterapeuta assume a função de ser um facilitador das ações, orientando naquilo que for possível.

 

Conceituando estilos cognitivos e afetivos

Os estilos aplicados aqui em arteterapia não estarão significando referencias de aprendizagem. Aqui, os estilos são passíveis de alterações e integrações em uma perspectiva fenomenológica; queremos afirmar, entretanto, que eles são apenas materiais simbólicos. Do ponto de vista semântico, podemos até conceituar algumas palavras, por exemplo, a palavra "stilus" que aqui foi utilizada. Poderia até merecer uma explicação etimológica, mas desnecessária, pois a razão dessa derivação do latim nos mostra que tal palavra se associa à feição especial ou ao caráter de uma produção escrita ou, ainda, à maneira especial de exprimir os pensamentos e de se expressar na escrita. Porém, no caso particular dos trabalhos efetuados por pacientes em consultório, não há essa necessidade de formalização epistemológica ou etimológica.

As observações feitas durante as práticas poderão servir de análises para futuros estudos que possam fundamentar e dar relevância à prática arteterapêutica. Entretanto, cumpre-se seguir observações de caso a caso. 

Quanto à linguagem das cores, assim como os símbolos imagéticos, também poderão surgir durante todo o exercício como fatores desses elementos simbólicos e, assim, naturalmente, farão parte da dinâmica das ações, nas quais os seus registros, manifestar-se-ão diretamente em cada ato criativo.
 

Para que uma sessão de arteterapia seja plena na sua composição terapêutica, há que se ter um espaço favorável e uma disposição de materiais que possam atender à diversidade de cada caso. Os métodos usados em cada oficina ficam a critério do terapeuta, o que ele privilegia ao disponibilizar como instrumentos os elementos de recursos terapêuticos. Há casos em que são necessários tratamentos mais específicos, tais como os indivíduos comprometidos com alguma deficiência relativa à audição, visão, linguagem (fala), escrita, deficiência neurológica além de outros comprometimentos que deverão passar por critérios avaliativos e, em seguida, serem encaminhados a especialistas específicos.

 

 

 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A arte de Jean-Honoré Fragonard no estilo Rococó: O Balanço (1766)

"Eu vivia num estado de tensão, à medida que fui conseguindo traduzir as emoções em imagens- isto é, à medida que fui descobrindo as imagens que se encontravam escondidas nas emoções- vi-me acalmado e seguro interiormente." C.G. Jung






O rococó é o estilo artístico que surgiu na França como desdobramento entre o barroco e o arcadismo, porém, bem mais leve e intimista que aquele usado inicialmente em decoração de interiores. O estilo desenvolveu-se na Europa do século XVIII, e da arquitetura disseminou-se para todas as artes. Um dos movimentos vigorosos da época até o advento da reação neoclássica por volta de 1770, quando se difundiu principalmente, na parte católica da Alemanha, na Prússia e em Portugal. 


O movimento rococó teria sido considerado por muitos, por ter adquirido características “profanas” uma variação vinda do barroco.  Esse movimento, ganha maior expressão a partir do momento em que houve a libertação dos temas religiosos, dos temas utilizados em cenas eróticas ou da vida cortesã tais como (as fêtes galantes). Havia uma farta estilização naturalista do mundo vegetal em ornatos e molduras além dos temas mitológicos, pastorais, com alusões ao teatro italiano da época. O termo (rococó) deriva do francês rocaille, [rocalha] que significa "embrechado", técnica de incrustação de conchas e fragmentos de vidros utilizados originariamente na decoração de jardins e grutas artificiais  que se populariza por analogia ao termo italiano barocco. 


Na França, o rococó é também chamado estilo Luís XV e Luís XVI. Há ainda, a expressão “época das Luzes”  na qual teve sua notoriedade, talvez pelo relativo apelo ao século de paz na Europa marcado pelo período de pós Revolução Americana de 1776 e logo em seguida, pela Revolução Francesa de 1789. No centro dos acontecimentos, a história surge agregando as artes, as formas e as expressões artísticas – o Século das Luzes, culminando com – a gramática estilística do Neoclassicismo, por dominação e criação dos artistas.


Jean-Honoré Fragonard (1732-1806) – e seu estilo de época do século XVIII europeu, o rococó. Um estilo que se desenvolve em meio às sutilezas de uma complexidade formal diante dos excessos do barroco, apelando para a leveza, graça e para os coloridos suaves. Os alemães se antecipam ao empregar o termo em sua acepção moderna de estilo artístico referindo-se à arquitetura e as artes ornamentais na segunda metade do século XIX, libertando-o assim do sentido pejorativo que o acompanha, desde a origem até o século XIX. Mas somente em 1943, com a obra clássica do historiador Fiske Kimball sobre o assunto, The Creation of the Rococo, que se fixam as origens do estilo na França em meados do século XVIII. A partir daí, o rococó deixa de ser visto como uma variante do barroco, passando a ser considerado um estilo autônomo, irredutível ao barroco e ao clássico.


Os historiadores da arte distinguem dois momentos do rococó. Um que vai de 1690 a 1730, o "estilo regência", marcado pelo rompimento com a rigidez arquitetônica do estilo Luís XIV, com a introdução de curvas flexíveis e de linhas mais soltas. Datam desse momento, as decorações de Pierre Lepautre (1660-1744), as gravuras e relevos de Jean Bérain a pintura de Jean-Antoine Watteau (1684-1721), pintor mais importante do período que imortaliza "as festas galantes" (por exemplo, Peregrinação à Ilha de Cítera, apresentada à Academia em 1717), gênero maior da pintura rococó. Os anos compreendidos entre 1730 e 1770 marcariam o rococó propriamente dito com a projeção de uma nova leva de artistas - Juste Aurèle Meissonnier (1695-1750), Nicolas Pineau (1684-1754), Jacques de Lajoue II (1687-1761), - que trabalham na remodelação das residências urbanas da nobreza e alta burguesia parisiense (os chamados hôtels), dotando-as de maior funcionalidade e conforto. Nesse sentido é que o estilo se desenvolve ligado à ornamentação de interiores, preferencialmente articulado às artes decorativas e ornamentais, boa parte delas consideradas menores, como o mobiliário, a tapeçaria, a porcelana e a ourivesaria.


Um exemplo característico do estilo na França pode ser encontrado no Salão Oval da Princesa do Hôtel Soubise de Paris (1738-1740). Na pintura, os nomes mais importantes dessa fase são François Boucher (1703-1770), Jean-Honoré Fragonard (1732-1806), Jean-Baptiste Pater (1695-1736) e Jean-Marc Nattier (1685-1766). Na escultura, Etienne Maurice Falconet (1716-1791) é considerado a expressão mais relevante do rococó, como atesta sua célebre Banhista (1757), e a estátua eqüestre de Pedro, o Grande, na antiga Leningrado, atual São Petersburgo.


Os traços mais salientes do estilo rococó relacionam-se ao uso das rocailles, que se combinam aos arabescos com linhas curvas em c ou s. As composições realizadas com extrema liberdade e fantasia mesclam a sinuosidade das linhas com motivos tirados da natureza: pássaros e pequenos animais, plantas e flores delicadas, formações rochosas, águas em cascata ou brotando do solo. Na arquitetura, sobretudo nos interiores, predominam os traçados sinuosos, as cores claras, o uso da luz (pelas janelas francesas que descem ao chão) e dos espelhos. O luxo da decoração interna tem o seu contraponto na simplicidade das fachadas externas dos edifícios. Ao redor de 1760, assistimos à retomada das tendências e repertórios clássicos, nas pilastras, medalhões e troféus que tomam conta das decorações. Enraizado culturalmente no século XVIII, o rococó liga-se à sociabilidade elegante do período, às modas e maneiras cotidianas que têm nos salões literários e artísticos expressão significativa. A polidez e a performance social que os salões evidenciam vêm acompanhadas da importância do luxo e refinamento (do espírito e do corpo). As artes, nesse contexto, ligam-se diretamente ao prazer e ao divertimento o que leva os estudiosos a falarem em um fundo hedonista presente nas mais diversas manifestações do rococó.


A vivacidade e alegria da vida cotidiana, além da frivolidade elegante da sociabilidade cortesã francesa, rondam também a pintura rococó, como exemplificam as telas de Boucher e de Fragonard, seu aluno. Em Boucher, os temas mitológicos associam-se às cenas galantes, como na famosa Menina reclinada (1751). As cores delicadas e o erotismo do mestre encontram ressonância no trabalho de Fragonard - O Balanço (1766), que explorou também as paisagens e a pintura histórica. Nattier, principal retratista do período, retoma, em clave um pouco distinta, a associação entre vida cortesã e temas mitológicos, por exemplo em Mme. De Lamberc como Minerva (1737). Watteau, pioneiro no interesse pelas festas campestres e pelas cenas teatrais, imprime à pintura da época não apenas um repertório novo, como também um método particular, que consiste em justapor pequenas manchas de tinta sobre a tela, no que será seguido por Pater.


O estilo rococó se internacionaliza rapidamente pela Europa Central, mas também pela Espanha e Portugal, adaptando-se a contextos muito diversos. Chama a atenção nesse processo a sua penetração na arte religiosa, contrariando uma origem ligada à nobreza e à vida mundana. A arquitetura religiosa rococó, de fraco desenvolvimento na França, vai conhecer expressão maior seja na região da Baviera, seja na zona portuguesa do Minho e logo depois no Brasil.  Nessas regiões, o estilo sofre as influências do barroco italiano e das tradições autóctones, adquirindo feições originais. No caso do Brasil, especificamente, observa-se a forte penetração do rococó na arquitetura religiosa desde meados do século XVIII no Rio de Janeiro, em diversas cidades mineiras (Ouro Preto, São João Del Rey, Congonhas do Campo etc.), em Pernambuco, Paraíba e Belém.


A estética dos opostos marca a vida e a arte no período Barroco com as maiores contradições: místico e religioso; cientista e sonhador; dia e noite; carinho e açoite; frio e calor; raiva e amor; açúcar e sal; bem e mal; sombra e luz; desespero e calma. Um período de contrastes e de ações que tentam revelar os segredos da alma.



sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A SOLIDÃO DO FAROL





Mar, mar e mar. Águas salgadas, por-do-sol, veleiros e faróis são os ingredientes mágicos e os elementos de transformação do fictício que residem na imaginação do artista, para ser manifestação ideal do real, através da palheta alquímica do pintor.

O que faz do artista ser um pintor?  E priorizar em suas idealizações uma forma de arquitetura como os faróis?  Eu não tenho resposta para tal pergunta. Talvez o homem e a obra de arte sejam uma “coisa só”, unidos numa espécie de fusão‑andrógina capaz de resgatar do imaginário, através do processo simbiótico e, de lá, deixar nascer o “filho de sua construção”: a obra de arte.

Assim, os faróis nascem emergidos das profundezas oceânicas, iluminando ou iluminados de por‑do‑sol. E lá sempre estão eles como ícones sinalizadores e solitários: altos, opacos ou coloridos; tristes ou alegres, mas altamente ativos em suas funções. Atentos em sua solidão, marcando o ponto de chegada e o princípio da partida. Um olhar para os que se encontram perdidos, um olhar piscando na escuridão da noite, anunciando a esperança e o caminho. Imerso em total solidão e refletindo o silêncio como quem exibe sua ambivalência, vive o farol cumprindo seu papel. Porém, na tela do imaginário de quem escreve ou pinta; o farol também reflete luz.

Desse modo, o artista cria  imagens que irão vestir de solidão a alma  feliz do farol. Tinge-o com as mais belas tintas; glorifica-o como um estandarte e dá-lhe a imponência de ser ele um ser exuberante. Assim sendo, o objeto de arte segue sinalizando a procura que  aponta para o alvo ao mesmo instante em que ascende  para o inesperado desejo do encontro. E, na condição de um pirilampo orientador, cumpre o farol seu real e fiel papel: ser sempre o solitário da vigília na densa escuridão da noite. E o farol vive no ritual de sua função, mergulhado no breu do mar, sendo quase  um mito de adoração, erguido como figura limite no infinito distante de fixos olhares. Neste instante, vê-se a luz  no final do túnel.

Será o farol o espelho refletido que a mão sonhadora do artista teima em ver materializado em sua ficção imaginária? Ou será a obra de arte que se faz pronta como construção arquetípica ao se constituir no próprio ser da arte? A expressão de criação  artística surge do transbordamento da  consagração do pintor. Esta é a paixão que o objeto de arte desperta em todos os olhares fortes; e refletindo imaginações figuram como lentes onde  não caberão análises, nem palavras que possam definir a estreita conexão entre a manifestação e a intenção que leva artistas e suas obras a se fundirem em tais convergências semânticas.

 Aí está uma simples relação no âmbito social dessa reunificação, homem e arte, sujeito e objeto: indissoluvelmente ligados. Esta é a fusão simbólica e de comunicação mítica.

 Assim sendo, antropólogos, psicanalistas e semiólogos se debruçam sobre essa semântica que fundamenta o dinamismo organizador da imagem como força modelar de representação da realidade caótica em uma desordem‑organizadora. A criatividade tenta dar conta do fenômeno da obra de arte; mesmo que esta  flutue. Mas, segundo o artista, ele expressa as tendências sociais de seu tempo consciente ou inconscientemente. Porém, as formas de expressão irão encontrar sua função mais autêntica, quando são atingidas pelo desafio do enfrentamento cotidiano, com os limites do saber tácito desembocando para além do saber artístico.

O processo criativo simboliza, sobretudo, a significação com a restauração  do encontro da unidade com a divindade – Eros e Tânatos – que  coexistem e convivem nesse ponto primordial. Essa fusão que se dá no encontro mítico, metáfora precária que pretende subordinar o sublime instante do “ato de criação”, traça o perfil imaginário, onde  um nasce do outro  e, assim, se fazem   ser e criador – do  objeto de arte, processo de uma metáfora  que se plasma como realidade do ato de criação.

E o farol está lá, nas águas temperadas das ninfas de sol e mar, do sal e das alvoradas. Mas as minhas palavras estão aqui.  Porém, se mais quiserem  saber, hão de mergulhar na plasticidade de muitos aventureiros que se perderam em mares de outrora. Mas, se ainda persistirem, hão de encontrar construtores, artistas, escritores, usando a solidão dos faróis para neles e com eles se encontrarem. Portanto, ofereço-lhes mil e um faróis para serem lidos em poesias, contos e crônicas ou nas telas, cujas palhetas em aquarelas, tentarão exprimir o indizível de qualquer olhar que queira ver e sentir a solidão feliz do farol.
 
Fonte:
SANTANA, Vannda. O avesso e reverso na ponta da pena.  Oficina Editores, Rio de Janeiro, 2007.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Entre a profissão e o esporte: a prática de uma ação

Pedra da Gávea - São Conrado

Um fato aparentemente simples, mas relevante, pela forma do acontecimento; e, como nada acontece por acaso, este “caso” é só mais um episódio na soma de tantos outros; sempre com final feliz, mas (quando dá pra ser). Então, vamos contar o caso, como as coisas se apresentam e como se organizam no meio do caos e por quê.  Cada caso acontecido tem sua história fundamentada numa espécie de organização improvável. É assim desse modo, como tudo aconteceu; e, com vocês, a história da “Trilha”.

Certo dia, mais precisamente em 11 de agosto (estamos em 2014), mais uma missão para o BOMBEIRO – GUARDA-VIDAS, no seu dia de descanso. Neste dia, recebe ele um convite para fazer uma “trilha” e o lugar escolhido: a (Pedra da Gávea). Convite aceito, mochila nas costas, recheada de ingredientes necessários, prepara-se para seguir o ritual da jornada. Vale lembrar aos desavisados que esta prática de fazer “trilhas” em lugares como este citado acima não deve ser exercida sem um guia capacitado.

Então, vamos ao caso. Já sabemos que há uma história e, para início de conversa, vamos falar de preparo físico, disposição para encarar “surpresas” boas e ruins, enfrentar riscos, até da própria vida. Antes de mais nada, tem de haver cautela, sem a qual, é melhor não arriscar. Diante do esporte, com seus ditames e aventuras radicais, há que se cumprir a exigência de um regulamento de proteção à vida para dar início a missão. E tudo se inicia assim: céu azul de brancas nuvens, sem ventos soprando “agouros”, e o dia promete. Pé na estrada rumo a Pedra da Gávea. Rota demarcada, tudo certo, lá vai o Bombeiro e seus colegas para mais um dia de aventura; atingir o alvo da subida, alvo atingido, agora é hora de retornar, antes que a noite desça. Mas, na descida, uma surpresa.  E este é mais um episódio entre tantos já acontecidos, sem registros efetivos. Por isso mesmo, estamos registrando este, que será o primeiro de outros    que  virão com cenas  e atitudes “surpreendentes”.

Na trilha, a história aconteceu assim: no meio da descida da montanha, na metade do caminho, um homem sentado, entre dores e desconforto – um ombro deslocado.

- E aí, amigo! O que houve?

- Estava indo passar a noite em vigília; em oração no topo da montanha, quando, de repente, uma queda.

 A pobre vítima, em meio aos seus gemidos, nem falar podia tamanha era a sua dor. Aproxima-se, então, o Bombeiro; e o que ele constata, logo de início, sem mais delongas, o diagnóstico: deslocamento do ombro esquerdo. Então, entra em ação: práticas cotidianas e todo um arcabouço de experiências vivenciadas de praias lotadas nos pontos mais requisitados do Rio de Janeiro. Porém, a vítima desta aventura, era um “pastor” que iria “Vigiar e  Orar” a noite inteira no topo da montanha; mas quis o destino interromper seu contato de congraçamento com Deus e colocou em seu caminho difícil, pessoas que, também, são enviados especiais para “salvar vidas” não importa onde e como estejam.

E, assim, disse o bombeiro ao pastor: vou resolver seu problema, tenha calma, tudo vai dar certo.

Mas eis que, de repente, surge, do nada, um casal que também se apresenta para ajudar o pastor, dizendo serem médicos. Sai de cena o bombeiro para os médicos agirem. Porém, o bombeiro permanece ao lado, apenas olhando o procedimento que os médicos iriam fazer.

Aí, amigos, é que a coisa pega. E pega legal. Os médicos ficaram assustados e não sabiam o que fazer com aquele ombro deslocado e com aquele “baita” osso apontado para trás.

De novo entra em cena o BOMBEIRO – e  com letras maiúsculas porque deveria ser assim saudados por todos em suas profissões pelas obras de “salvadores” – pois em qualquer que seja o lugar, lá estão eles, sempre prontos para agir, resgatar e “salvar” . E o bombeiro, com sua simplicidade e no heroísmo de sua eficiência, avisa ao paciente que tenha calma, que tudo vai dar certo e tudo ficará bem.

O pastor responde: eu confio em vocês. Os médicos saem de cena, permitindo a ação do bombeiro. E seguem as instruções: olha amigo, faça realmente o que lhe digo, vou colocar seu ombro no lugar. Enquanto o bombeiro conversava com o pastor, ia preparando os apetrechos para realizar o procedimento. De repente, pronto. O ombro estava no lugar.

E o pastor, estupefato, surpreso e sem dor, só sabia clamar por “Glorias” e mais Glorias, dizendo que iria orar pelo resto de sua vida para o bombeiro “salvador” do episódio acontecido naquele dia tão fatídico.

 E assim termina esta história. Mas outras tantas virão.